segunda-feira, 20 de junho de 2011

A obra

Não é exatamente uma obra, digamos que se trata de um recauchutagem
das paredes do meu quarto e da sala, mas nem por isso deixa de ser
caótico.

Daí logo que conhecemos o pedreiro achamos ele com cara de gente boa,
que entende mesmo de descascar, lixar e pintar uma parede. Como de
costume, a realidade não é bem assim, e parte da nova rotina consiste
em discutir e gritar com o tiozinho pra ele fazer o serviço direito.

Hoje às oito da manhã, saí da cama morrendo de sono, escabelada e com
aqueles adesivos de secar espinha na cara e abri a porta pro cara
entrar. Só disse "entraee" e voltei pra cama.

Mais tarde acordei de verdade e fui trocar de roupa. Meu quarto fica
nos fundos, com vista para o QUINTAL. Jamais fecho as persianas por
dois motivos: um, a claridade da manhã ajuda a me convencer de que é
preciso acordar; e dois, tenho preguiça antecipada de abrir e fechar
as persianas diariamente — sempre evito a fadiga desnecessária.

Agora o detalhe importante: o muro do quintal também está sendo pintado.

Então tenho 90% de certeza (evitei me certificar por completo) que o
pintor me viu trocando de roupa, até que me dei conta da situação e me
escondi atrás da porta do armário.

Acho que agora a relação está em equilíbrio, o cara nos aguenta zumbis
e descontroladas, mas também rola essa oportunidade dar uma
ESPIADINHA.

Se "a obra" seguir como o planejado, tá tudo pronto até sexta, e
nesses próximos dias saio pra aula antes mesmo do tio chegar, o que
quer dizer que não corro mais riscos. Ou talvez eu passe a fechar as
persianas (improvável).

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