segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Fora de cogitação

No meu primeiro semestre de estudos aqui na China entrei na turma A, a mais básica, e além de mim haviam outros 3 brasileiros na turma: a Marina, filha de coreanos que tinha vindo pra cá tocar um negócio com a mãe, o Richard, descendente de japoneses que veio fazer algo relacionado aos negócios da família que nunca entendi o que era e o Daniel, filho de chineses que já falava o cantonês e que viera especialmente para estudar mandarim, idioma que os pais não falam (e se não me engano liam e escreviam muito pouco também). Todos paulistas, Marina e Richard da capital e Daniel de Guarujá. Se um chinês com pouco ou nenhum conhecimento sobre o Brasil - a grande maioria - nos visse e soubesse que éramos todos brasileiros, certamente acharia que do outro lado do mundo também havia um povo de olhos puxados e pele amarelada, muito parecido com o seu, o que aliás não é completamente falso, considerando que os nativos brasileiros, os índios, possuem bastante semelhanças físicas com os chineses.

No meio do semestre a Marina e o Richard largaram o curso de mão, ela porque estava muito ocupada com os negócios e ele porque demonstrou uma falta de aptidão para o aprendizado de línguas que superou qualquer outra pessoa que eu já tenha conhecido, se bem que ele nem sequer conseguia manter 5 min de atenção na aula e pela personalidade imbecil e insuportável que demonstraria no decorrer dos meses dava pra perceber que o problema era mais generalizado.

O Daniel e o Richard viraram melhores amigos e depois de alguns meses passaram a dividir um apartamento junto com duas chinesas que conheceram e de quem ficaram bastante próximos (entre esses 4 rolou TANTA confusão que não vale nem a pena). Depois de algumas conversas no intervalo das aulas eu já tinha percebido que o Richard era muito chato e mongolão, mas sair pra almoçar ou jantar com o Daniel - a Marina estava sempre ocupada - geralmente significava que ele também estaria presente, era meio que o preço a se pagar para um tentativa de sair da rotina deprimente em que não havia absolutamente nada pra fazer depois da aula, lembrando que eu ainda não tinha meu note na época.

O segundo semestre de aulas o Daniel acabou largando pela metade, pois tinha adquirido uma fluência em mandarim numa velocidade impressionante, combinando a gramática idêntica e algumas palavras de som igual ou parecido do cantonês que ele falava desde pequeno e a convivência diária dentro de casa com duas chinesas. As aulas para ele conseguiram ficar ainda mais maçantes do que pro resto da turma que se matava pra conseguir o mínimo progresso. 

No final de 2008 tanto o Daniel quanto o Richard jogaram a toalha e voltaram pro Brasil (perceberam que isso aqui não é pra qualquer um, né) e a essas alturas nenhum de nós tinha notícias da Marina.

Fast forward para 31 de julho de 2009, 22:09.

Estou eu bem no meio das minhas férias de verão, deitada no sofá da sala vendo TV, quando toca meu celular e não reconheço o número. Atendo e é o Richard, de volta ao país para passar pouco mais de um mês fazendo algo relacionado aos negócios da família que eu continuo não entendendo o que é. Cada minuto de conversa com ele parece um pesadelo interminável, o papo segue sendo exatamente o mesmo que eu tantas vezes já havia xingado, na frente dele, claro, durante todo o ano passado. Queria combinar de me encontrar, disse que mesmo estando aqui de novo há apenas uma semana já tinha ficado pensando como é que eu aguentava, etc. Falei que aham, a gente se falava, qualquer dia eu aparecia em Guangzhou e almoçávamos juntos. 

Foi aqui na China que eu encontrei as pessoas mais chatas que já passaram pela minha vida nesses 23, quase 24, anos - uns 98% deles eram brasileiros(as), 1% argentino e 1% chinês. E essa criatura em especial é tão retardada e insuportável que todas as vezes que eu via ele não conseguia me controlar e deixava claro que ele falava sempre as mesmas coisas e que, sim, muitas delas eram completamente idiotas. A coisa é tão grave que eu cheguei a cogitar - e até comentei isso com o Daniel - que ele talvez tivesse mesmo algum problema mental, era simplesmente ruim demais pra ser verdade. Uma noite no segundo semestre de 2008, por coincidência, fui jantar no mesmo lugar onde estavam o Richard e seus pais, que visitavam o filho na China. Acabamos sentando juntos e fiquei surpresa ao descobrir que os pais dele eram pessoas absolutamente normais e agradáveis.

Depois de tudo isso posso finalmente chegar à moral do post de hoje, então vamos lá. Assim que eu desliguei o telefone sexta-feira, anotei o novo número do Richard no meu  celular e pretendo não atender o telefone se ele me ligar de novo. Não nasci pra mártir, gente.

 

7 comentários:

[R]ichard disse...

aieeeee! |:

Nataly disse...

HUAHUHAUAHUAHUAHHAUAHUHAHUAHUHUAHUAHAU

ADOREI!!

Adorei o texto, a moral e o comentario do Richard aih em cima!! huahuaha

E adorei tb saber que não foi na faculdade que vc conheceu as pessoas mais insuportaveis da sua vida! Isso com certeza ajudará nossa amizade, uma vez que seu nivel de exigência caiu bastante, passei a ser infinitamente menos insuportável. XD

Flávia disse...

hauahuahua
Ótimo Nataly, concordo contigo...agora tu vai aturar qq coisa? Também nao né?

Larissa disse...

o meu, eu ia perguntar se ele não tinha chances de ler o teu post! ufhasuhfd

[R]ichard disse...

mas eu li, meo.
|:

elô disse...

É, pelo jeito ele é mongolão mesmo...
Se não fosse não teria comentado aqui e cavaria um buraco beeem fundo pra se esconder... hdolahsid
Vergonha alheia :/

Ana Paula disse...

me diverti afu lendo. bah... me coloco no teu lugar e me imagino explodindo com tudo isso. ehehe